Assim, com a virtude acumulada de tudo o que tenho feito, libertarei os não-libertados, soltarei os que estão presos, aliviarei os que não têm alívio, e levarei todos os seres vivos ao nirvana. Assim, com a virtude acumulada de tudo o que tenho feito, a dor de todos os seres vivos será totalmente eliminada...

sábado, 30 de outubro de 2010

Um velho monge e um jovem monge estavam andando por uma estrada quando chegaram a um rio que corria veloz. O rio não era nem muito largo nem muito fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma bela jovem, que esperava na margem, aproximou-se deles.
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A moça estava vestida com muita elegância, abanava o leque e piscava muito, sorrindo com olhos muito grandes.
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– Oh – ela disse – a correnteza é tão forte, a água é tão fria, e a seda do meu quimono vai se estragar se eu o molhar. Será que vocês podem me carregar até o outro lado do rio?
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E ela se insinuou sedutora para o lado do monge mais jovem. O jovem monge não gostou do comportamento daquela moça mimada e despudorada. Achou que ela merecia uma lição. Além do mais, monges não devem se envolver com mulheres. Então, ele a ignorou e atravessou o rio.
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Mas o monge mais velho deu de ombros, ergueu a moça e a carregou nas costas até o outro lado do rio.
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Depois os dois monges continuaram pela estrada. Embora andassem em silêncio, o monge mais novo estava furioso. Achava que o companheiro tinha cometido um erro ao ceder aos caprichos daquela moça mimada. E, pior ainda, ao tocá-la tinha desobedecido às regras dos monges. O jovem reclamava e vociferava mentalmente, enquanto eles caminhavam subindo montanhas e atravessando campos.
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Finalmente, ele não agüentou. Aos gritos, começou a repreender o companheiro por ter atravessado o rio carregando a moça. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.
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– Ora, ora – disse o velho monge. – Você ainda está carregando aquela mulher? Eu já a pus no chão há uma hora.
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E, dando de ombros, continuou a caminhar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Embarcação / The vessel
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Ai, ness mundo ca tem sô sofrimento / Oh, in this world here there is only suffering
Ma naquel olhar cheio di mágoa / But in that stare full of sadness
Modê crê tão cedo na felicidade / For believing so soon in happiness
Tcheu titá fogá na solidão / Something that is drowning in deep loneliness
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Ma na embarcação quta levá nôs vida / But in the vessel that takes our lives
Um bom timonero nô ta desejá, pa guiá-no / We hope for a good helmsman to take us
Na temporal nô ta reá vela / Through the storm and pull down our sails
Pa nô ca perdê na profundeza dum amargura / So we won't be lost in the deepness of a sorrow
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Terra longe à vista é um doce promessa / The desired land seen so far is a sweet promise
Ma qui ta desfazê nindiferença / But it is not making no difference
Um sonho nascê na porto dilusão / For a dream is born in the port of illusions
Fgi pa longe parcê um solução / Fly away to a far place seems to be a solution
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Ma na rota incerta di nôs destino / But in the uncertain route that is our fate
Nô ta pô esperança num brisa mansa e constante / We are putting our hopes on a sweet and constant breeze
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Pintchi vela dnôs existencia / That blows the sails of our existence
E na paz levá, assim, nôs nau / And so in peace takes our vessel
Pum horizonte di luz e bonança / Towards a horizon full of light and peaceful feelings