Assim, com a virtude acumulada de tudo o que tenho feito, libertarei os não-libertados, soltarei os que estão presos, aliviarei os que não têm alívio, e levarei todos os seres vivos ao nirvana. Assim, com a virtude acumulada de tudo o que tenho feito, a dor de todos os seres vivos será totalmente eliminada...

sábado, 27 de junho de 2009

Certa tarde de outono, o mestre Ikyyu vagueava pelos campos, levando consigo uma flauta de bambu. Um eremita, ao vê-lo perguntou :
- Quem és tu?
- Sou um peregrino que segue para onde sopra o vento.
Tencionando pô-lo em apuros o eremita perguntou:
- E quando o vento não sopra?
Então Ikyyu começou a tirar de sua flauta uma doce melodia:
- Então sopro eu.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,
Que pena não poder seguir por ambas numa só viagem:
Muito tempo fiquei mirando uma até onde enxergava
Quando se perdia entre os arbustos;
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Depois tomei a outra, igualmente bela,
E que teria talvez maior apelo, pois era relvada e fora de uso;
Embora, na verdade, o trânsito as tivesse gasto quase o mesmo,
E nessa manhã nas duas houvesse folhas que os passos não enegreceram.
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Oh, reservei a primeira para outro dia!
Mas sabendo como caminhos sucedem a caminhos, e duvidava se alguma vez lá voltaria.
É com um suspiro que conto isto,
Tanto, tanto tempo já passado: duas estradas separavam-se num bosque
Eu segui pela menos viajada,
E isso fez a diferença toda.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Namastê
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Uma história diz que depois de um encontro entre Mahatma Gandhi e Albert Einstein, o cientista perguntou a Gandhi qual o significado desse gesto. Gandhi respondeu desta maneira: "Honro o lugar em ti, no qual se encontra todo o universo. Honro o lugar da luz, do amor, da verdade, da paz e da sabedoria que se encontra em ti. Honro o lugar em ti onde, quando tu e eu estamos ali, nós ambos somos só um."
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Namastê é um gesto de respeito para com os demais e para com todas as existências. Dirige o espírito acima do ego e das considerações pessoais. Namastê cria harmonia entre os seres, por muito diferentes que sejam. Quando fazemos namastê sinceramente pelos demais, cria-se uma mútua simpatia, e isso ocorre se fazemos namastê pelo universo inteiro, incluindo as árvores, as montanhas, os rios, que nos devolvem simpatia por sua vez.
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Na postura de namastê, as mãos se colocam uma contra a outra, com a superfície dos dedos e das palmas toda em contato. Os antebraços estão horiozontais e a ponta dos dedos na altura do nariz. A posição das mãos espelha o cérebro. A mão direita está em relação ao mundo conceitual, racional do cérebro; a mão esquerda corresponde ao mundo da intuição, do invisível, do espiritual. As mãos juntas em namastê fazem a união entre o ego e o cosmo, entre o material e o espiritual.
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terça-feira, 16 de junho de 2009

O repouso do guerreiro
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Hoje
só por um momento
rendo-me
pouso as armas
dispo as roupas
fico nu
Não quero escolher
não quero bater-me
Vou sentar-me
e talvez viver...
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Chego cansado do trabalho, trinta e dois pacientes depois, uma hora e vinte de viagem depois, uma hora e quarenta de trânsito depois, de um dia comum. Chego cansado e tomo um banho, como uma coisa qualquer, a primeira vasilha de comida congelada que encontro na frente. Microondas, prato limpo, boca, barriga. Chego cansado e revejo as contas, o que tenho pra pagar amanhã, o que posso deixar pra depois de amanhã, arrumo a bolsa pra outro dia de trabalho, de cansaço, de tudo o que sempre é igual e o de sempre. E cansa. E drena. E me mata aos poucos, todos os dias me tira: um dia a menos.
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Acendo um incenso: sândalo, o que perfuma o machado que o corta, o hálito dos devas, e me sento pra meditar. Nada de ohmmmm... nada disso. Só mesmo pensar em uma coisa: o dia de hoje, o que eu perdi, o que não pude fazer, o que deveria ter feito, e principalmente, acima de tudo, meditação suprema que leva ao nirvana: como poderia ter feito melhor aquilo que eu fiz. Com um sorriso no rosto, com um aperto de mão, com um bom dia, uma boa tarde, com uma buzinada a menos pro ônibus que me fechou, um "corno!" a menos pro motociclista que quase arrancou meu retrovisor, tão/mais cansado que eu, com tanta/mais vontade que eu de chegar em casa e tirar o tênis apertado, o capacete.
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Uma meditação: o que me fez perder o dia não foi o cansaço, não foram os trabalhos, as pessoas doentes, os quilômetros, as filas intermináveis de carros de cada lado da rua até a porta da minha casa. Foi eu ter levado tudo tão a sério, tudo tão contra mim, tudo sem um sorriso no rosto, uma risada, uma paz que me fizesse zen, que me fizesse o buda do dia de hoje, completamente desperto, no hoje, no agora, com uma risada de engasgar e fazer o dia valer a pena. Para mim. Para todos. Um bodhisattva.
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Mas desperdicei meu dia, me cansando. Para compensar:
esse vídeo.
Tu tens um medo: acabar. Não vês que acabas todo o dia? Que morres no amor, na tristeza, na dúvida, no desejo... Que te renovas todo dia, no amor, na tristeza, na dúvida, no desejo... Que és sempre outro, que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas até não teres medo de morrer. E então serás eterno.
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Não ames como os homens amam: não ames com amor. Ama sem amor, ama sem querer, ama sem sentir. Ama como se fosses outro, como se fosses amar: sem esperar, tão separado do que ama, em ti, que não te inquiete se o amor leva à felicidade, se leva à morte, se leva a algum destino, se te leva e se vai, ele mesmo...
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Não faças de ti um sonho a realizar. Vai, sem caminho marcado. Tu és o de todos os caminhos. Sê apenas uma presença, invisível presença silenciosa. Todas as coisas esperam a luz, sem dizerem que a esperam, sem saberem que existe. Todas as coisas esperarão por ti, sem te falarem, sem lhes falares. Sê o que renuncia altamente: sem tristeza da tua renúncia, sem orgulho da tua renúncia.
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Abre as tuas mãos sobre o infinito e não deixes ficar de ti nem esse último gesto. O que tu viste amargo, doloroso, difícil, o que tu viste inútil, foi o que viram os teus olhos humanos, esquecidos, enganados...
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No momento da tua renúncia, estende sobre a vida os teus olhos e tu verás o que vias: mas tu verás melhor...... e tudo que era efêmero se desfez. E ficaste só tu, que és eterno.
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