Assim, com a virtude acumulada de tudo o que tenho feito, libertarei os não-libertados, soltarei os que estão presos, aliviarei os que não têm alívio, e levarei todos os seres vivos ao nirvana. Assim, com a virtude acumulada de tudo o que tenho feito, a dor de todos os seres vivos será totalmente eliminada...

sábado, 3 de outubro de 2009

As Cinco Lembranças
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Adoecer faz parte da minha natureza. Adoecer é uma lembrança da presença do mundo em mim.
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Envelhecer faz parte da minha natureza. Envelhecer é o ornamento da minha impermanência.
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Morrer faz parte da minha natureza. Morrer é uma dádiva da impermanência.
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Tudo aquilo que amo ou odeio (objetos, meus pais, irmãos e amigos, aqueles que odeio ou considero inimigos) também tem esta mesma natureza impermanente e passageira.
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Somente as minhas ações são os meus pertences verdadeiros. Não posso fugir às suas consequências. As minhas ações são o solo sobre o qual o qual piso.

sábado, 22 de agosto de 2009

Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração acordará!...

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência adormecerá!...

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material...

Quando não se têm mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor...

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá para dar amor...

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão
Da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão
Do tempo espiral...

Amor dará e receberá
Do braço, mão
Da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte
O seu dia natal...

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

terça-feira, 21 de julho de 2009


Se uma imagem vale por mil palavras, essa cena do filme vale por um dia inteiro de meditacao, sobre a roda da vida e a originacao dependente. O Dharma permeia tudo, Mr Button.

sábado, 27 de junho de 2009

Certa tarde de outono, o mestre Ikyyu vagueava pelos campos, levando consigo uma flauta de bambu. Um eremita, ao vê-lo perguntou :
- Quem és tu?
- Sou um peregrino que segue para onde sopra o vento.
Tencionando pô-lo em apuros o eremita perguntou:
- E quando o vento não sopra?
Então Ikyyu começou a tirar de sua flauta uma doce melodia:
- Então sopro eu.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,
Que pena não poder seguir por ambas numa só viagem:
Muito tempo fiquei mirando uma até onde enxergava
Quando se perdia entre os arbustos;
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Depois tomei a outra, igualmente bela,
E que teria talvez maior apelo, pois era relvada e fora de uso;
Embora, na verdade, o trânsito as tivesse gasto quase o mesmo,
E nessa manhã nas duas houvesse folhas que os passos não enegreceram.
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Oh, reservei a primeira para outro dia!
Mas sabendo como caminhos sucedem a caminhos, e duvidava se alguma vez lá voltaria.
É com um suspiro que conto isto,
Tanto, tanto tempo já passado: duas estradas separavam-se num bosque
Eu segui pela menos viajada,
E isso fez a diferença toda.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Namastê
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Uma história diz que depois de um encontro entre Mahatma Gandhi e Albert Einstein, o cientista perguntou a Gandhi qual o significado desse gesto. Gandhi respondeu desta maneira: "Honro o lugar em ti, no qual se encontra todo o universo. Honro o lugar da luz, do amor, da verdade, da paz e da sabedoria que se encontra em ti. Honro o lugar em ti onde, quando tu e eu estamos ali, nós ambos somos só um."
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Namastê é um gesto de respeito para com os demais e para com todas as existências. Dirige o espírito acima do ego e das considerações pessoais. Namastê cria harmonia entre os seres, por muito diferentes que sejam. Quando fazemos namastê sinceramente pelos demais, cria-se uma mútua simpatia, e isso ocorre se fazemos namastê pelo universo inteiro, incluindo as árvores, as montanhas, os rios, que nos devolvem simpatia por sua vez.
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Na postura de namastê, as mãos se colocam uma contra a outra, com a superfície dos dedos e das palmas toda em contato. Os antebraços estão horiozontais e a ponta dos dedos na altura do nariz. A posição das mãos espelha o cérebro. A mão direita está em relação ao mundo conceitual, racional do cérebro; a mão esquerda corresponde ao mundo da intuição, do invisível, do espiritual. As mãos juntas em namastê fazem a união entre o ego e o cosmo, entre o material e o espiritual.
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terça-feira, 16 de junho de 2009

O repouso do guerreiro
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Hoje
só por um momento
rendo-me
pouso as armas
dispo as roupas
fico nu
Não quero escolher
não quero bater-me
Vou sentar-me
e talvez viver...
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Chego cansado do trabalho, trinta e dois pacientes depois, uma hora e vinte de viagem depois, uma hora e quarenta de trânsito depois, de um dia comum. Chego cansado e tomo um banho, como uma coisa qualquer, a primeira vasilha de comida congelada que encontro na frente. Microondas, prato limpo, boca, barriga. Chego cansado e revejo as contas, o que tenho pra pagar amanhã, o que posso deixar pra depois de amanhã, arrumo a bolsa pra outro dia de trabalho, de cansaço, de tudo o que sempre é igual e o de sempre. E cansa. E drena. E me mata aos poucos, todos os dias me tira: um dia a menos.
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Acendo um incenso: sândalo, o que perfuma o machado que o corta, o hálito dos devas, e me sento pra meditar. Nada de ohmmmm... nada disso. Só mesmo pensar em uma coisa: o dia de hoje, o que eu perdi, o que não pude fazer, o que deveria ter feito, e principalmente, acima de tudo, meditação suprema que leva ao nirvana: como poderia ter feito melhor aquilo que eu fiz. Com um sorriso no rosto, com um aperto de mão, com um bom dia, uma boa tarde, com uma buzinada a menos pro ônibus que me fechou, um "corno!" a menos pro motociclista que quase arrancou meu retrovisor, tão/mais cansado que eu, com tanta/mais vontade que eu de chegar em casa e tirar o tênis apertado, o capacete.
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Uma meditação: o que me fez perder o dia não foi o cansaço, não foram os trabalhos, as pessoas doentes, os quilômetros, as filas intermináveis de carros de cada lado da rua até a porta da minha casa. Foi eu ter levado tudo tão a sério, tudo tão contra mim, tudo sem um sorriso no rosto, uma risada, uma paz que me fizesse zen, que me fizesse o buda do dia de hoje, completamente desperto, no hoje, no agora, com uma risada de engasgar e fazer o dia valer a pena. Para mim. Para todos. Um bodhisattva.
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Mas desperdicei meu dia, me cansando. Para compensar:
esse vídeo.
Tu tens um medo: acabar. Não vês que acabas todo o dia? Que morres no amor, na tristeza, na dúvida, no desejo... Que te renovas todo dia, no amor, na tristeza, na dúvida, no desejo... Que és sempre outro, que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas até não teres medo de morrer. E então serás eterno.
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Não ames como os homens amam: não ames com amor. Ama sem amor, ama sem querer, ama sem sentir. Ama como se fosses outro, como se fosses amar: sem esperar, tão separado do que ama, em ti, que não te inquiete se o amor leva à felicidade, se leva à morte, se leva a algum destino, se te leva e se vai, ele mesmo...
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Não faças de ti um sonho a realizar. Vai, sem caminho marcado. Tu és o de todos os caminhos. Sê apenas uma presença, invisível presença silenciosa. Todas as coisas esperam a luz, sem dizerem que a esperam, sem saberem que existe. Todas as coisas esperarão por ti, sem te falarem, sem lhes falares. Sê o que renuncia altamente: sem tristeza da tua renúncia, sem orgulho da tua renúncia.
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Abre as tuas mãos sobre o infinito e não deixes ficar de ti nem esse último gesto. O que tu viste amargo, doloroso, difícil, o que tu viste inútil, foi o que viram os teus olhos humanos, esquecidos, enganados...
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No momento da tua renúncia, estende sobre a vida os teus olhos e tu verás o que vias: mas tu verás melhor...... e tudo que era efêmero se desfez. E ficaste só tu, que és eterno.
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